Tanto tempo lutei em criar um espaço, e agora eu o tenho. Escrevo aqui o que der na telha . Falo, elogio e critico sem olhar a quem. Participe... você é meu/minha convidado(a) de honra.
terça-feira, 15 de julho de 2014
Anjo
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Presentes
O dia é quente, mas a noite está prestes a chegar. Lua cheia com certeza o céu trará, repetindo o espetáculo da noite anterior. Mas mesmo a noite chegando, o calor continua tão intenso quanto o dia que acaba de nascer. O verão que se chama inverno por motivo substanciais e de esperança. O inverno de 36 graus chegou, mas mesmo assim é inverno.Na mente só uma mulher, uma mulher a qual ainda não vi. Uma mulher que nem ao certo sei quem é, mas está preste a se tornar uma mulher muito especial que com certeza fará muita diferença em minha vida. Mas diferença não aquela que subtrai, mas aquela que soma, multiplica sentimentos, mesmo dividindo esses mesmos sentimentos com outra mulher. É uma álgebra difícil de entender, mas que sempre seu resultado final é maior que zero.
O coração se aperta por que não estava em minha mente um novo amor, começar tudo de novo, mais uma vez, mas não tem jeito, quando o amor laça seu coração é difícil de soltar e eu mesmo nem quero isso.
A imagino linda, mesmo tendo desde o inicio muitas dificuldades. Renegada por quem devia amá-la, mas recuperada pelo amor, aquele mesmo que faltou que agora é abundante. Como a chuva que falta no verão na época do inverno que vem quando o verão se faz inverno.
Já a amo mesmo ainda não sendo minha.. e penso, será que vou ser correspondido com esse amor sem medida?
Por sorte aprendi que devo amar incondicionalmente, não por aquilo que ela é ou será, não por aquilo que ela pode me proporcionar, mas simplesmente amar.
É um paradoxo imenso de sentimentos, paciência e angustia... Não sei que dia esse amor chegará, mas ja sei que a amo, mesmo antes não sabendo que teria que amar mais uma vez.
Quase noite e penso, comprarei um presente para que eu possa receber esse amor com mais elegância, com mais tranquilidade, mesmo sabendo que a angústia da espera me corrói por dentro.
Era pra comprar um, comprei um monte. Mas sei que não será suficiente, mesmo sabendo que todos os dias minha vida será um presente pra ela.. mas tenho certeza que ela nem imagina que o maior presente disso tudo é ela em minha vida, mesmo sem tê-la, meu presente já se projeta no futuro e sei que a alegria que ela me trará certamente me iluminará dia após dia, se juntando a mais luz que felizmente eu já sou agraciado. Então olho a lua que brilha, aquela mesmo que trouxe uma paixão e peço, me traga agora meu amor. Ja me sinto preparado.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Ruínas
Ruína é o termo que descreve o resto, destroço ou vestígio de uma estrutura. Mas parando pra pensar no caso, não creio que o resto deve ser considerado algo de menor valor. Por muitas vezes o que nos resta em nossas ruínas mentais é a esperança.. e a esperança não é algo ruim. De pedaços desmontados montamos o quebra-cabeça, o dinossauro e por muitas vezes uma história.
E esses pedaços devidamente organizados, encontramos a imagem daquilo que antes não era possível ver. O antigo se fez novo e o passado se fez presente.
A mente em ruínas é uma mente em constante transformação. Em uma constante pesquisa de sim mesmo buscando a possibilidade de se compreender.
Tenho medo daqueles que dizem ser "bem resolvidos". Vida patética que não muda nunca e não permite que vivamos novos desafios. Bem resolvidos em que se o mundo esta em constante transformação? Até os continentes se afastam dia após dia... e sua mente continua a mesma. Paralisada em suas vãs teorias. Afinal.... um bem resolvido.. é sempre... um bem resolvido.
Vou a fundo.. mergulho no meu íntimo... na minha ruína mais secreta... junto os pedaços e descubro que em mim... ainda existe esperança. Descubro que nem tudo está perdido.... descubro em mim.. eu mesmo.
Marcio Furlani - 10.04.2013
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Livros - A Sombra do Vento
Ontem, dia 02 de janeiro de 2012, eu terminei a leitura de
um livro que considero ter sido o melhor livro que já li. O livro que quero
destacar nesse dia é o "A Sombra do Vento" de Carlos Ruiz Zafón. quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Fantasias em Preto e Branco
O gato corre e atravessa a rua após ouvir os passos arrastados daquele homem que vaga pela noite.Os passos são lentos, um após o outro ele os dá tentando chegar a mais um objetivo.
Assim que ele chega à frente da casa ele para, olha e decide se deve acordar alguém que ainda deve morar naquele lar. Tenta escutar se existe alguém acordado. Olha pelo portão de ferro, baixo, com formato colonial, um tanto enferrujado pela chuva e o sol. Apenas vê a janela da frente, uma janela de vidro, quatro vidros, e um deles trincado. Por trás deste, uma cortina. Uma cortina vermelha e branca, xadrez, branca e vermelha.
Ao fundo, uma pequena luz, amarela, fraca, mas ali existe uma luz. Resolve então bater a porta. Porta de madeira, tinta desgastada, mas de uma forte madeira.
Quando ia bater, a luz se acende, a porta se abre e ela aparece. Sem perguntar nada o deixa entrar.
O assoalho de madeira no chão faz barulho com seus passos, passos lentos, um após outro.
Ela senta-se a mesa e puxa uma cadeira, o convidando para que faça o mesmo.
Ele também senta-se, e ainda sem trocarem uma palavra, se olham.
Ele jamais esqueceria esses olhos, e nem ela os dele. Ambos marcantes. Encaram-se por minutos a fio.
Ela levanta-se, pega uma pequena panela na geladeira, não está vazia, nem cheia. A luz da geladeira clareia um pouco mais os móveis. Desta vez não tem mesas feitas por ambos.
Ela pergunta se ele está com fome, que acena levemente com a cabeça dizendo que sim. Ela com seus passos, não tão lentos, leva a refeição ao fogo para esquentar.
Ele continua sentado, cabisbaixo, culpado. Culpado de um crime sem sentença. Espera que a refeição fique pronta e a observa por trás. Percebe o quanto ela mudou e não tinha se dado conta.
Ela vira-se e com um pequeno sorriso comprova o que ele estava a meditar. Ela ainda o ama? Sim, jamais deixaria de amá-lo.
Ele a ama, com tanta intensidade que dói. Dói tanto que seu crime sem sentença fica ainda mais impossível de se sentenciar.
Anos raros que não voltam mais, se passam na imaginação dele. Como teria sido esses mesmos anos pra ela?
Ela alcança o prato e ele come. Cabisbaixo e culpado, mas come.
Ela levanta, aproxima-se dele e afaga os poucos cabelos brancos de sua cabeça. As lágrimas escorrem dos olhos dele que em seu interior quer congelar aquele momento. Um pequeno gesto que vale por uma vida inteira. Ele afasta o prato, vazio e chora. Ela encosta a cabeça dele sobre seus seios e faz carinho.
Na mente dele se passa um filme, dos momentos felizes, dos infelizes. E ele só que eternizar esse momento.
Eles se afastam, e os olhos dela, marcantes e azuis, olham para os dele, não tão belos.
Ela o ama, foram os primeiros olhos que viram os dela. Ele a viu nascer.
Beijam-se no rosto. Abraçam-se e ele se afasta com seus passos lentos. A porta se abre, o assoalho para de ranger e o portão enferrujado faz um barulho que ecoa nas casas vizinhas. Eles se olham, não sabem se é pela última vez.
E antes de ele dobrar a esquina, ela diz em alta voz:
Te amo pai.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
A viagem - Introdução
A chuva desce do telhado fazendo um som único que só pode
ser ouvido no outono. O Sol não está
presente, ainda é cedo demais para que ele desperte. quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Safiras

A festa se foi. As plumas dos carros alegóricos e os confetes ainda podem ser encontrados jogados na rua. Não faz frio nem calor, o tempo é ameno e agradável.
Ele anda de um lugar para o outro. Ansioso esperando a cada “tic tac” do relógio. São 10 horas da manha. Dirige-se a geladeira e a abre, dessa vez ela esta desligada e vazia. Ele olha para os objetos e nesse momento os enxerga com clareza, sem silhuetas.
O dia é claro e o que restou foram pouquíssimos objetos pela casa. A prateleira de livros está vazia, tudo está vazio e o cheiro da tinta nova ainda pode ser sentido pelo ar.
A prateleira de livros está vazia, tudo está vazio.
Sentado em seu escritório que trabalhou por muitos anos, ali mesmo, em sua casa. Ele observa cada detalhe de sua mesa de trabalho, mesa que um dia juntou a família e reuniu amigos. Olha pro gaveteiro. Tudo aquilo é muito especial, ele e seu querido irmão que fizeram aqueles móveis.
O interfone toca, ele observa pela janela e se depara com um par de olhos azuis. Eles os encaram. Lindos olhos azuis. Os dois sorriem.
Ela entra, sorri novamente e o abraça. Os dois trocam alguns carinhos e ela diz que o ama, ele retribui com um beijo na testa e também diz que a ama.
Ele passa pra ela algumas instruções de como vai ser o dia. Ela por alguns minutos se entristece, se sente insegura. Ele também se entristece, mas logo devolve palavras de segurança, palavras de ânimo.
Andam pela casa vazia e se olham por vários minutos, minutos que serão eternizados na memória de cada um.
Um carro chega e os dois escutam o tocar da buzina, um toque rápido e sutil.
Ele rapidamente apanha algumas coisas nas mãos, algumas malas e leva até o carro, acomoda tudo dentro do porta malas, volta, segura na mão dela e com a outra mão tranca a ultima vez a casa.
Entram no carro e se acomodam no banco de trás, na frente um casal, pessoas mais que especiais, mas dessa vez não farão móveis juntos.
Trocam olhares e não falam nada.
O motor do carro é ligado e algumas pessoas estão na janela dando sinal de adeus com as mãos, eles retribuem timidamente, não é um dia muito feliz.
Ele olha para a casa que tantos anos morou e se despede do bairro que nasceu. A ansiedade é geral.
O caminho parece ser três vezes maior, não chega nunca. Dirige, dirige e dirige. Finalmente chegam ao devido lugar.
Aviões cruzam o céu, uns pousando, outros decolando. Eles desembarcam com as malas e o casal estaciona o carro.
O par de olhos azuis o olha com segurança, fixamente. Eles entram no saguão, fazem o check-in e despacham as malas. A única coisa que resta agora é esperar a hora do vôo. O tempo passa e todos se levantam e vão para o portão de embarque. Os olhos azuis começam a lacrimejar e depois chorar compulsivamente.
Ele abraça o casal em um longo abraço de saudade. Todos choram.
Ele se abaixa, olha dentro dos olhos azuis e diz:
Tenha calma filha, viajar de avião é muito bom, não tenha medo, estaremos juntos.
Ele segura nas pequeninas mãos de sua filha e da adeus para o casal e ela faz o mesmo.
Ele canta um pequeno trecho da música “Chão de Giz” de Zé Ramalho; “No mais estou indo embora, no mais estou indo embora”, olham mais uma vez para o casal, viram as costas e caminham, sem olhar para trás e somem no portão de embarque, na esperança de que uma nova vida os receba de braços abertos.